Homens programados

No prefácio do livro Liberdade Sem Medo (Summerhill), de A.S.Neill, Erich Fromm, ao abordar o tema liberdade em educação, apresenta os conceitos de “autoridade manifesta” e “autoridade anônima”. A primeira é explicita, estando claro que  sanções (até físicas!) serão impostas aos que a desafiarem, enquanto que a segunda é “disfarçada”, sendo a principal sanção para quem a desafia vivenciar “a sensação de não estar ajustado”.  Em última análise, força física x manipulação psíquica.

Compartilho isso porque achei tão interessante (embora óbvio) e atual esse texto, de 1960, infelizmente ainda totalmente pertinente, hoje, quando tanto tem se discutido o consumismo e, mais especificamente, a publicidade voltada para o público infantil. Quanto àquestão da educação, fico me perguntando se evoluímos ou andamos para trás: o que seria pior, a persuassão e coação ocultas a que o texto se refere, ou o diagnóstico de algum “transtorno”, com a pertinente medicação, para os que não estão adequados ao sistema, como vemos acontecer hoje?

Transcrevo abaixo um trecho:

“A modificação da autoridade manifesta do século dezenove para a autoridade anônima do século vinte foi determinada pelas necessidades de organização de nossa sociedade industrial moderna. A concentração do capital leva à formação de empresas gigantescas, dirigidas por burocracia hierarquicamente organizada. Grande aglomerado de trabalhadores e funcionários trabalha em conjunto, sendo cada indivíduo uma parte de vasta máquina de produção organizada, que, para bem funcionar, deve fazê-lo sem dificuldades,nem interrupções. O trabalhador individual torna-se apenas um parafuso em tal máquina. Nessa organização de produção, o indivíduo é dirigido e manipulado.

Na esfera do consumo (na qual se tem a impressão de que o indíviduo expressamlivre escolha) também ele é dirigido e manipulado. Se no consumo de comida, de roupas, de bebidas, de cigarros,mde programas de rádio e televisão, um poderoso aparelho de sugestão trabalha com dois propósitos: aumentar constantemente o apetite individual para novas comodidades, e , em segundo lugar, dirigir tal apetite paramos canais mais proveitosos para a indústria. O homem é transformado no consumidor, no eterno pimpolho de mama, cujo único desejo é consumir, cada vez mais, “melhores” coisas.

Nosso sistema econômico precisa criar homens que se adaptem às suas necessidades, homens que cooperem harmoniosamente, homens que “desejem” consumir cada vez mais. Nosso sistema precisa criar homens cujos gostos sejam padronizados, homens que possam ser influenciados com facilidade, homens cujas necessidades possam ser conhecidas com antecipação. Nosso sistema precisa de homens que se sintam livres e independentes, mas que, apesar disso, estejam dispostos a fazer o que deles se espera, homens que se ajustem à maquina social, sem fricção, que possam ser guiados sem o emprego da força, que possam ser liderados sem líderes, e que possam ser dirigidos sem qualquer outro alvo que não seja “ter sucesso”. A autoridade não desapareceu, nem mesmo perdeu seu vigor, mas foi transformada de autoridade manifesta em autoridade anômima de persuassão e sugestão. Em outras palavras, pra ser adaptável, o homem moderno é obrigado a nutrir a ilusão de que tudo é feito com seu consentimento, mesmo quando esse consentimento lhe é extraído através de sutil manipulação. Seu consentimento é obtido, sim,  mas atrás de suas costas, para além de sua consciência.

Os mesmos artifícios são empregados na educação progressiva. A criança é forçada a engolir a pílula, mas a essa pílula aplica-se uma cobertura de açúcar. Pais e professores têm confundido a autentica educação despida de autoritarismo com educação por meio de persuassão e coação ocultas.”

De volta pra desejar Boas Festas :-)

Depois de um longo recesso, pretendo retornar (será que consigo?), por ora deixando registrado nossos votos de Natal e Ano Novo <3

Tão longe e tão perto

Meu amor,

Falta pouco agora. E confesso que apesar de a-mar ter você fazendo sua bagunça – de chutões a soluços – dentro da minha barriga estou ansiosa pra ver seu rostinho, te pegar no colo e te beijocar.

Estou ansiosa pra ver seu encontro com sua irmã, que está aguardando, também ansiosa, mas com muito amor pra te dar.

E, claro, pra estarmos juntos finalmente, os quatro, eu, você, seu pai e sua irmã, a nova família que surgirá com sua chegada. Pois sim, sei que você, nosso segundo sol, vem pra “realinhar as órbitas dos planetas”, e que nossa vida vai virar de cabeça pra baixo de novo. Mas esse virar de cabeça pra baixo a que me refiro é um virar delicioso, como foi com a chegada da sua irmã, a vida sendo vivida com intensidade e amor.

Estou cansada, os desconfortos dessa reta final são muitos, por isso desejo que você venha logo. Só em pensar que você ainda pode demorar mais quatro ou cinco semanas dentro da minha barriga me desespero, parece uma eternidade.

Por outro lado sei que depois sentirei saudade da barriga, da bagunça, dos sentimentos de paz, confiança e completude que você trouxe pra mim. Nunca mais na vida estaremos tão próximos, tão simbióticos. Em breve o cordão que nos une será cortado e você começará sua jornada. Então, meu filho já tão amado, que você chegue a seu tempo, na hora certa, no ritmo que te convier. Desejo um parto rápido e natural, mas que seja da forma como você já escolheu, que seja o melhor pra você.

Mamãe já te ama demais, como pode? Meus olhos se enchem de lágrimas quando converso com você, e estão marejados agora que te escrevo. Mais uma vez – e não será a última, te garanto – agradeço de coração por você ter me escolhido. Agradeço também a deus pela benção que é poder ter você comigo.

Com amor,

Mamãe.

Precisamos de seres humanos melhores II

Tanto se tem falado em bullying ultimamente, que às vezes ficamos com a sensação de que se trata de algo novo. E a solução para esse, como para muitos outros problemas sérios de nossa época é ao mesmo simples (tão simples que chega a ser difícil pra algumas pessoas compreender) e revolucionária: educação pré-natal.

Confiram a entrevista que a Ceila, do Blog Desabafo de Mãe fez com a Carla Machado, presidente da ANEP Brasil:

É ou não é por aí?

Precisamos de seres humanos melhores

Com tristeza fomos surpreendidos uma semana atrás com o massacre de crianças em uma escola pública do Rio de Janeiro. Chorei com a notícia, mas fiz questão de me manter alheia à exploração irresponsável do ocorrido pelos meios de comunicação. Dispenso detalhes, sejam eles mórbidos ou não, pois a mim eles nada acrescentam. Também não conversei sobre o assunto com as pessoas com quem convivo, exceto com um pequeno grupo virtual de mães. Porque ali, a troca de impressões e idéias foi diferente, já que alimentadas pela indignação e a tristeza nos perguntamos, juntas, o que realmente estaria por trás de uma ação extrema desse tipo.

Não quero me estender sobre o assunto, mas preciso passar adiante a mensagem da carta escrita por esse grupo de mães blogueiras, para a qual dei minha modesta contribuição, e que assino embaixo. Peço a quem concordar com essa reflexão que divulgue, e passe adiante a mensagem.

“Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,

temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é? Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor! Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa www.futurodopresente.com.br
Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com
Letícia Dawahri
Luciana Ivanike www.lucianaivanike.blogspot.com
Monique Futscher www.mimirabolantes.blogspot.com
Renata Matteoni www.rematteoni.wordpress.com

Mais uma promoção mamífera :-)

Não devia divulgar não, pois quero ganhar o livro, mas como é parte do concurso, vamos lá: o blog Mamíferas está sorteando o livro Parto com Amor, de Luciana Benatti. Pra concorrer, basta comentar no post indicado respondendo algumas perguntas e divulgar a promoção.

Minha desenhista: auto retrato

auto retrato, originally uploaded by matteos.

 

Minha desenhista: o maior sorvete do mundo



o maior sorvete do mundo, originally uploaded by matteos.

Minha desenhista: arco íris

Minha desenhista: arca de noé



bichos, originally uploaded by matteos.

Foto da semana: mãozinhas e barrigão

mãozinhas e barrigão, originally uploaded by matteos.

 

Foto do dia 3: bolinhas de golf



bolinhas de golf, originally uploaded by matteos.

Foto do dia 2: margaridas



flores, originally uploaded by matteos.

Foto do dia 1: orquídeas



orquídeas, originally uploaded by matteos.

Foto de ontem: bolinho



mesário, 5 anos e 6 meses :-) , originally uploaded by matteos.

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