Carta Aberta ao CONAR – blogagem coletiva do Movimento Infância Livre de Consumismo

Deixa eu espanar um pouco da poeira desse blog…por uma boa causa. Ainda que não tenha mais visitantes, vou engrossar o caldo da blogagem nessa causa que me é tão cara.

Seguinte: um lindo movimento de mães e pais vem movimentando a internet em busca de regulamentação para a publicidade infantil. Eu super apoio, não apenas a regulamentação, mas se possível a proibição total. Não de propaganda, nem de propaganda de produtos infantis, mas de propaganda dirigida a crianças. Que os publicitários e as empresas deixem de ser covardes, e falem diretamente com os pais, ora bolas!

A argumentação a favor da manutenção do status atual é ridícula, e o Movimento Infância Livre de Consumismo se juntou a algumas entidades que já militam nessa causa, como o Instituto Alana, para lutar por um futuro melhor, lidando com a questão do consumismo na raiz: o fim do desrespeito a nossas crianças através do bombardeiro publicitário. Estive durante a Rio+20 num painel promovido pelo Alana em torno desse tema, do qual o movimento fez parte, representado pela querida Ana Claudia Bessa, ao lado de outras entidades, como Aliança pela Infância, IDEC e Akatu. O assunto merece ser extensivamente debatido e amplamente divulgado.

Abaixo, reproduzo a carta aberta ao CONAR, redigida pelo movimento:

Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.

A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.

Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.

Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.

O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.

Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.

Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.

[Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.infancialivredeconsumismo.com. br ]

Lillies and roses will be your prize

"Do sleep, do sleep, lovely, sweet boy, 
To the gentle rocking of your mother's hand; 
Peaceful sleep, and recreation 
Does come floating with each gentle pull. 
Do sleep, do sleep in your sweet berth, 
Still protected by your mother's arm, 
All her wishes, all your talents 
Encompassing, in her steady love. 
Do sleep, do sleep, in that downy embrace, 
Still you only hear a gentle crooning, 
Dewy flowers: lilies and roses, 
after slumber they will be your prize."

Quem sabe um dia consiga escrever sobre essa perda. O casulo ficou apertado demais, né cara? Por ora, quero dizer somente que sempre te amarei e que honrarei seu legado. Fique em paz.

Cotonete – SoundBox

http://cotonete.clix.pt/listen/silver/player_blog/default.aspx?c=&t=26_8_5_9_96&s=&r=&o=NVAL135440&st=t&si=5&bg=AAAAAA&play=0

Homens programados

No prefácio do livro Liberdade Sem Medo (Summerhill), de A.S.Neill, Erich Fromm, ao abordar o tema liberdade em educação, apresenta os conceitos de “autoridade manifesta” e “autoridade anônima”. A primeira é explicita, estando claro que  sanções (até físicas!) serão impostas aos que a desafiarem, enquanto que a segunda é “disfarçada”, sendo a principal sanção para quem a desafia vivenciar “a sensação de não estar ajustado”.  Em última análise, força física x manipulação psíquica.

Compartilho isso porque achei tão interessante (embora óbvio) e atual esse texto, de 1960, infelizmente ainda totalmente pertinente, hoje, quando tanto tem se discutido o consumismo e, mais especificamente, a publicidade voltada para o público infantil. Quanto àquestão da educação, fico me perguntando se evoluímos ou andamos para trás: o que seria pior, a persuassão e coação ocultas a que o texto se refere, ou o diagnóstico de algum “transtorno”, com a pertinente medicação, para os que não estão adequados ao sistema, como vemos acontecer hoje?

Transcrevo abaixo um trecho:

“A modificação da autoridade manifesta do século dezenove para a autoridade anônima do século vinte foi determinada pelas necessidades de organização de nossa sociedade industrial moderna. A concentração do capital leva à formação de empresas gigantescas, dirigidas por burocracia hierarquicamente organizada. Grande aglomerado de trabalhadores e funcionários trabalha em conjunto, sendo cada indivíduo uma parte de vasta máquina de produção organizada, que, para bem funcionar, deve fazê-lo sem dificuldades,nem interrupções. O trabalhador individual torna-se apenas um parafuso em tal máquina. Nessa organização de produção, o indivíduo é dirigido e manipulado.

Na esfera do consumo (na qual se tem a impressão de que o indíviduo expressamlivre escolha) também ele é dirigido e manipulado. Se no consumo de comida, de roupas, de bebidas, de cigarros,mde programas de rádio e televisão, um poderoso aparelho de sugestão trabalha com dois propósitos: aumentar constantemente o apetite individual para novas comodidades, e , em segundo lugar, dirigir tal apetite paramos canais mais proveitosos para a indústria. O homem é transformado no consumidor, no eterno pimpolho de mama, cujo único desejo é consumir, cada vez mais, “melhores” coisas.

Nosso sistema econômico precisa criar homens que se adaptem às suas necessidades, homens que cooperem harmoniosamente, homens que “desejem” consumir cada vez mais. Nosso sistema precisa criar homens cujos gostos sejam padronizados, homens que possam ser influenciados com facilidade, homens cujas necessidades possam ser conhecidas com antecipação. Nosso sistema precisa de homens que se sintam livres e independentes, mas que, apesar disso, estejam dispostos a fazer o que deles se espera, homens que se ajustem à maquina social, sem fricção, que possam ser guiados sem o emprego da força, que possam ser liderados sem líderes, e que possam ser dirigidos sem qualquer outro alvo que não seja “ter sucesso”. A autoridade não desapareceu, nem mesmo perdeu seu vigor, mas foi transformada de autoridade manifesta em autoridade anômima de persuassão e sugestão. Em outras palavras, pra ser adaptável, o homem moderno é obrigado a nutrir a ilusão de que tudo é feito com seu consentimento, mesmo quando esse consentimento lhe é extraído através de sutil manipulação. Seu consentimento é obtido, sim,  mas atrás de suas costas, para além de sua consciência.

Os mesmos artifícios são empregados na educação progressiva. A criança é forçada a engolir a pílula, mas a essa pílula aplica-se uma cobertura de açúcar. Pais e professores têm confundido a autentica educação despida de autoritarismo com educação por meio de persuassão e coação ocultas.”

De volta pra desejar Boas Festas :-)

Depois de um longo recesso, pretendo retornar (será que consigo?), por ora deixando registrado nossos votos de Natal e Ano Novo <3

Tão longe e tão perto

Meu amor,

Falta pouco agora. E confesso que apesar de a-mar ter você fazendo sua bagunça – de chutões a soluços – dentro da minha barriga estou ansiosa pra ver seu rostinho, te pegar no colo e te beijocar.

Estou ansiosa pra ver seu encontro com sua irmã, que está aguardando, também ansiosa, mas com muito amor pra te dar.

E, claro, pra estarmos juntos finalmente, os quatro, eu, você, seu pai e sua irmã, a nova família que surgirá com sua chegada. Pois sim, sei que você, nosso segundo sol, vem pra “realinhar as órbitas dos planetas”, e que nossa vida vai virar de cabeça pra baixo de novo. Mas esse virar de cabeça pra baixo a que me refiro é um virar delicioso, como foi com a chegada da sua irmã, a vida sendo vivida com intensidade e amor.

Estou cansada, os desconfortos dessa reta final são muitos, por isso desejo que você venha logo. Só em pensar que você ainda pode demorar mais quatro ou cinco semanas dentro da minha barriga me desespero, parece uma eternidade.

Por outro lado sei que depois sentirei saudade da barriga, da bagunça, dos sentimentos de paz, confiança e completude que você trouxe pra mim. Nunca mais na vida estaremos tão próximos, tão simbióticos. Em breve o cordão que nos une será cortado e você começará sua jornada. Então, meu filho já tão amado, que você chegue a seu tempo, na hora certa, no ritmo que te convier. Desejo um parto rápido e natural, mas que seja da forma como você já escolheu, que seja o melhor pra você.

Mamãe já te ama demais, como pode? Meus olhos se enchem de lágrimas quando converso com você, e estão marejados agora que te escrevo. Mais uma vez – e não será a última, te garanto – agradeço de coração por você ter me escolhido. Agradeço também a deus pela benção que é poder ter você comigo.

Com amor,

Mamãe.

Precisamos de seres humanos melhores II

Tanto se tem falado em bullying ultimamente, que às vezes ficamos com a sensação de que se trata de algo novo. E a solução para esse, como para muitos outros problemas sérios de nossa época é ao mesmo simples (tão simples que chega a ser difícil pra algumas pessoas compreender) e revolucionária: educação pré-natal.

Confiram a entrevista que a Ceila, do Blog Desabafo de Mãe fez com a Carla Machado, presidente da ANEP Brasil:

É ou não é por aí?


MOVIMENTO INFÂNCIA LIVRE DE CONSUMISMO

”vamos

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Mulher de 30, mãe, carioca. Curiosa e sedenta por informação e novidades. Precisa de um espaço para escrever sobre o que passa pela sua mente hiperativa e o que vai em seu coração, e para falar sobre a Pipoca, sua filhota de 4 anos. Filhos, fotografia, terapia, esperança de ver nossas crianças crescerem num mundo (pelo menos um pouco) melhor são temas recorrentes em sua vida e nesse espaço, o que não quer dizer que não pipoquem, aqui e ali, outras coisas mais...

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Nesta manhã de domingo muitas familias marcharam pelo direito de escolha no Rio de Janeiro. E contra esse sistema falido e a violência obstétrica.

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